Te quero. Te quero aqui, te quero agora.
Te quero me acordando nessa manhã gelada e virando pro lado com preguiça de acordar.
Te quero me dando beijos surpresa e me confundindo o tempo inteiro com eles.
Te quero me fazendo caras e bocas que eu não consigo decifrar, só pra me deixar morrendo de curiosidade.
Te quero aconchegada em mim na cama, ou oferecendo o ombro para que eu me aconchegue em você.
Te quero dando risada e me atormentando, falando besteira e fazendo piada de tudo.
Te quero agora. Agora, nesse momento.
Te quero sabendo que isso pode não ser nada, sabendo que isso pode ser simplesmente assim como é.
Te quero sem pensar no futuro, sem fazer grandes planos ou idealizar uma vida.
Te quero simplesmente porque te quero.
Te quero porque é bom.
Porque querer é diferente de amar, diferente de precisar.
Querer é urgente e sincero.
Te quero sem medo de dizer que te quero. E isso basta.
(Reflexões de uma manhã carente)
29 de maio de 2013
manhã
Acordei. Me movimentei lentamente e senti um calor próximo ao meu rosto: as costas dela. Aproximei o rosto e a acariciei com minha bochecha, sentindo aquele carinho da manhã me acordando. Me ajeitei na cama, acomodei meu corpo ao dela, ficando o mais próxima que conseguia. Encaixei minhas pernas em suas curvas e passei meu braço ao redor de sua cintura, trazendo-a para mim e sentindo deliciosamente o contato dos nossos corpos. Ergui um pouco a cabeça e depositei um beijo em seu ombro, seguido de outro na clavícula e mais um no rosto. A observei ali, dormindo, de olhos fechados e expressão tranqüila. Como era bom acordar com uma mulher assim dormindo nua ao seu lado. Depositei mais um beijo em seu rosto antes de deitar-me novamente, enfiar a cara no calor das suas costas e voltar a dormir.
30 de abril de 2013
meia volta e.. mudança de rumos!
Quando um simples gesto te faz repensar tudo o que você estava fazendo e atentar o olhar com mais cautela pra determinadas coisas. Quando você tenta voltar a se permitir sentir, se deixar levar, se deixar entregar.
A entrega pode ser muito fácil, mas pode ser quase impossível. Tudo é uma questão de se permitir. Uma hora precisamos parar de pensar se estamos nos permitindo de mais ou de menos e simplesmente deixar que as coisas tomem seus rumos naturalmente... Mesmo que no final o tombo seja muito maior e mais dolorido.
o medo do medo do medo do medo do medo do medo... de quê?
Texto escrito originalmente em Dezembro de 2012.
Tenho medo. Sempre tive, sempre terei. Muito medo. Mas o medo que me angustia agora é um medo novo. É um medo que eu não conheço, um medo que me deixa com mais medo, com medo de ter esse medo e com medo de esse medo não passar. Eu estou com medo de sofrer, acho, mas ele se traduz em medo de me envolver, medo de entrar num relacionamento, medo de me prender a alguém. E aí dele decorre o medo de fazer alguém sofrer por não me envolver o suficiente ou por a pessoa querer mais do que eu estou disposta a dar.
Pensamentos sobre o medo de viver
Texto escrito em Outubro de 2012.
Sempre achei estranho quando as pessoas falavam que tinham medo de se envolver novamente com alguém, por causa de uma dor que tinham sentido anteriormente. Pra mim não fazia sentido, um relacionamento acabava e causava dor e outros poderiam vir, o que pra mim não significava que todos os outros poderiam ser assim também.
Mas agora eu entendo isso. Quando a dor é tão forte, quando a situação fica tão difícil que você perde o controle sobre o que você quer, tudo o que você consegue pensar é em se isolar, se fechar pra nunca mais sentir uma dor assim novamente. Porque dói muito. Dor de amor é irracional, a sua cabeça te diz uma coisa mas seu coração continua doendo. E não para...
E agora eu penso que não quero me envolver, quero me fechar, quero passar o resto dos meus dias assistindo filmes em casa, sem correr riscos, sem me entregar, sem me atirar para algo que pode me fazer sofrer. Porque o sofrimento sempre será inevitável. Por mais que eu tente pensar racionalmente, por mais que eu saiba que é absurdo sofrer desse jeito, por mais que eu saiba que isso passa, como passaram outras dores piores que já tive na vida... É insano demais pensar em me arriscar novamente. Eu consigo ver claramente uma cena minha daqui algum tempo, fugindo das pessoas, me fechando, impedindo que alguém me faça sofrer ou que eu me faça sofrer por causa de alguém. E como dói! E como angustia...
Só consigo pensar em ficar no sofá, morrendo. Em sumir do mundo, não fazer nada, não pensar em nada, não me preocupar com nada, não viver. Porque viver é arriscado e eu não quero cair de novo. Não consigo sequer pensar na possibilidade de que um dia posso provar outras bocas, me interessar por outras pessoas... Isso parece tão absurdo, tão irreal. E não é nada do que eu quero. Eu só queria que não existisse ninguém e que eu pudesse viver sozinha com a minha cachorra pro resto da vida.
Queria conseguir voltar tudo, queria obrigar minha cabeça, corpo e coração a sentir tudo como no começo, a viver a empolgação, a me sentir apaixonada, a desejá-la mais que tudo, a não conseguir parar de sorrir só de saber que ela existe. Queria conseguir voltar no começo, queria perceber que o namoro só fez o meu amor se fortalecer e que tudo o que eu quero nessa vida é ela, e aí voltar correndo pros braços dela, implorar pra ela não me deixar nunca mais. Queria conseguir escolher o que eu sinto, queria que isso nunca tivesse acontecido, queria olhar pra ela e saber que ela é tudo o que eu preciso, tudo o que eu desejo. Queria sair, me divertir, estar nos lugares com ela sabendo que ali eu estaria completa, por ela ser o amor da minha vida.
Eu não consigo sentir que acabou, porque eu sei o quanto ela é incrível, mas eu queria amá-la de novo da mesma forma que era no começo. Queria fazer isso voltar. Porque os sentimentos mudam? Porque, sem explicação alguma, essas coisas acontecem e tudo acaba? Porque nos filmes e novelas e seriados parece que amamos uma pessoa e aquela será a pessoa certa, para sempre, que por mais que tenham problemas, brigas e que os dois se odeiem, no fim eles sabem que se amam muito pra ficar separados. Porque nos relacionamentos normais não pode ser assim? Porque eu não consigo me obrigar a me sentir como ela se sente? Porque, mesmo querendo tanto, mesmo me esforçando tanto, eu não consigo mais me sentir assim? Era tudo o que eu queria. Tudo o que eu queria era perceber que terminar foi um grande erro, porque eu a amo demais pra ficar longe e porque ela é a mulher da minha vida. E será que não é? COMO me obrigar a me sentir assim? O que fazer para que tudo aquilo volte e para que eu fique bem de novo? Para que ela seja feliz e eu também. Essa seria a solução ideal, todos sairiam felizes e o mundo voltaria a ser colorido. PORQUE não pode ser tão simples? PORQUE tem que ser tão difícil? PORQUE meus sentimentos não condizem com o que eu queria que fossem? PORQUE DÓI TANTO?
Eu queria me apaixonar por você de novo e ficar assim pro resto da vida. Era tudo o que eu queria. O que fazer quando você queria muito continuar amando alguém, mas não consegue?
Queria entrar naquele estado de graça de estar te conhecendo de novo.
PS.: Bom retomar antigos sentimentos como esses pra ver como as coisas realmente passam e tudo pode melhorar (:
23 de julho de 2012
queria me enjoar de você
lembra que no primeiro toque... deu choque!
lembra que você mudou de cor...
queria me enjoar de você (só que não), do doce do seu beijinho...
do cheiro, do jeito, da fauna e da flora...
lembra dos dias azuis... que luz!
lembra, seu corpo junto do meu...
queria me enjoar de você, mas não consigo...
um carinho envolve o meu coração ... sinto que é você falando pra mim, sussurrando quente entre os dentes letras tão gentis...
até vou acordar pra não esquecer palavras que eu sei de cor por ter você, por querer e merecer..
enquanto o sono é pouco e o sonho é bom eu entendo essa canção...
e só pra constar nos registros por aí que todo o meu amor é teu...
só pra contar pra quem quiser ouvir que eu encontrei alguém!
um pouquinho de nós, só pra tentar mostrar pra você o que eu estou sentindo agora.
além da saudade, é claro.
eu amo você.
PS.: todos os créditos do mundo para a Melina Souza, porque foi no blog dela que eu descobri esse super editor de imagens e porque claramente o modo como eu editei as imagens foi inspirado nela, já que as fotos dela são sempre tão lindas e tão incríveis. Todas as fotos foram tiradas por mim.
26 de outubro de 2011
Sobre "Frente e Verso"
Eu sempre gostei muito de ler. Quando eu era mais nova, meu pai me dava livros infanto-juvenis aos montes. Li muita mitologia afro brasileira, principalmente, mas li muitas outras coisas recomendadas por ele, como "O estranho caso do cachorro morto", escrito por Mark Haddon, que até hoje é um dos meus livros favoritos e foi o motivador do meu interesse por autismo, interesse esse cultivado até hoje.
Aos poucos, quando eu tinha por volta de 12 ou 13 anos, comecei a me interessar por romances voltados para meninas da minha idade e aos 14 anos eu tinha lido todos os livros lançados em português da Meg Cabot e mais alguns de outras autoras com linguagem semelhante.
Tudo isso só pra deixar claro o quanto eu sempre gostei de ler. Simultaneamente à minha época devoradora de livros da Meg Cabot, comecei também a escrever minhas próprias histórias, nas quais eu colocava nas minhas personagens tudo aquilo que eu desejava ser e em suas aventuras tudo aquilo que eu gostaria de realizar na minha vida.
Tudo isso só pra deixar claro o quanto eu sempre gostei de ler. Simultaneamente à minha época devoradora de livros da Meg Cabot, comecei também a escrever minhas próprias histórias, nas quais eu colocava nas minhas personagens tudo aquilo que eu desejava ser e em suas aventuras tudo aquilo que eu gostaria de realizar na minha vida.
Aos poucos, os livros que antes me encantavam tanto passaram a não ser mais tão atrativos pra mim e eu quis encontrar histórias mais condizentes com a minha nova realidade, histórias um pouco menos pré adolescentes. Assim, procurando na internet, vi uma recomendação do livro "A rosa do inverno", da Meg Cabot sob o pseudônimo de Patricia Cabot, que era um livro mais adulto, uma outra faceta da minha autora favorita. Foi o primeiro livro com conteúdo quase erótico que acabei lendo, e me encantei. A sutileza das palavras e a realidade que aquelas páginas transmitiam pra mim era incrível.
Esse ano, pela primeira vez, li um livro com temática lésbica. Comecei primeiro lendo o blog Fucking Mia, recomendado por uma amiga, e me encantei por ele. Li o blog inteiro em pouquíssimo tempo e até hoje leio sempre as atualizações. No meio das minhas leituras virtuais e de pesquisas sobre homossexualidade e afins na internet, acabei chegando a outras autoras e comprei o livro da Diedra Roiz, “O livro secreto das mentiras e medos”, que devorei de uma forma absurda. Adorei o livro, fiquei inconformada que ele acabou, queria que tivesse uma continuação... E precisava desesperadamente de alguém para compartilhar meu encantamento, então o emprestei para a minha namorada que também devorou o livro e também gostou tanto quanto eu.
Depois dessa descoberta incrível, eu queria muito achar outros livros com temática lésbica para ler e cheguei ao site da Editora Malagueta, que só publica livros de autoras lésbicas com temática lésbica. Fui então procurar os livros na Livraria Cultura (o que me rendeu um momento de raiva, pois os livros LGBT estão numa estante minúscula ao lado dos livros de erotismo e não tem nenhuma placa indicando que ali é a sessão LGBT da livraria, mas isso talvez renda outro post...) e me empolguei xeretando por lá, apesar de não ter comprado nada.
Com muitas coisas que andaram acontecendo, eu fui cada vez mais diminuindo minha freqüência de escrita. Parei de escrever inclusive para mim mesma, entrei num período de bloqueio que não tinha idéias para meus blogs, não conseguia elaborar textos que me satisfizessem e minha namorada vivia me dizendo que eu deveria voltar a escrever, que ela sentia falta disso em mim e coisas assim.
Então, um professor meu da faculdade passou um trabalho sobre assuntos polêmicos e eu rapidamente tomei conta do tema “Direitos sexuais e tolerância” e comecei a pesquisar no mesmo dia que ele passou o trabalho. Nessa mesma semana, minha namorada apareceu na minha casa com um livro da Editora Malagueta, que era lançamento, o livro “Frente e verso – visões da lesbianidade”, composto por artigos de Lúcia Facco, Laura Bacellar e Hanna Korich sobre o universo homossexual, questões engraçadas, história da literatura lésbica, questões atuais, preconceito, auto-aceitação, entre outros.
Para explicar o impacto desse livro na minha vida, vou dizer o seguinte: tudo isso que escrevi até agora foi só para chegar nesse livro. Já faz algum tempo que terminei de ler e inclusive já emprestei para uma amiga que gostou tanto dele quanto eu. Além da forma amigável e, ao mesmo tempo, séria de escrever, as autoras discutem questões importantíssimas e também questões curiosas e trazem informações relevantes para todas as pessoas, não apenas as lésbicas. Elas abordam temas como as lésbicas que se assumem apenas virtualmente, sobre as lésbicas no cinema e nas novelas, sobre as principais autoras da literatura lésbica, sobre preconceito e religiosidade, sobre a visão errônea que muitas pessoas têm dos homossexuais como pervertidos, sobre homofobia internalizada, sobre a forma como as lésbicas se vestem, as questões familiares, sobre as origens do termo ‘lésbica’, sobre as questões legais como união homoafetiva e união civil homossexual... É tanto assunto que eu, tentando dar um panorama geral, acabei falando um monte de coisa. Tudo isso pra dizer que vale a pena.
O livro não só me ajudou no desenvolvimento do meu trabalho para a faculdade como também foi o meu salvador. Foi ele que me motivou a voltar a escrever, foi ele que me tirou daquele bloqueio horrível que estava acabando comigo e, devo dizer, estou me sentindo incrivelmente melhor de ter conseguido voltar a escrever, por mais bobos que meus assuntos possam ser.
Acho que o livro é de extrema utilidade para qualquer um, mas o último texto, sobre homofobia, foi um texto que me tocou especialmente. Nem quero falar sobre ele aqui, porque ele já me rendeu um texto aqui e também já me rendeu uma boa reflexão pessoal. Além disso, se alguém ler esse meu post eu espero que essa pessoa fique um pouquinho curiosa e vá procurar o livro porque, acreditem, vale muito a pena.
Lúcia Facco, Laura Bacellar, Hanna Korich e minha namorada, meu amor lindo, muito obrigada por esse presente na minha vida.
PS.: por recomendação de um dos artigos do livro, estou lendo um livro incrível da Cassandra Rios, quando eu terminá-lo posso escrever alguma coisa por aqui.
Imagens: Tumblr.
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